A história da Ditadura Empresarial-Militar no Brasil ainda está longe de ser completamente conhecida. E, se dependesse apenas do poder público, muitos dos lugares que poderiam preservar essa memória continuariam abandonados.
A ocupação do Memorial dos Direitos Humanos (MG), representa justamente isso. O prédio do antigo DOPS, onde pessoas foram presas e torturadas, deveria ter se transformado em um espaço de memória há décadas. Mesmo com lei e projetos elaborados, o local chegou a ficar abandonado.
Foi somente com a mobilização do Movimento de Luta por Bairros e Favelas (MLB), da União da Juventude Rebelião (UJR), do Movimento Correnteza, do Movimento de Mulheres Olga Benário, do Movimento Luta de Classes (MLC), do Partido Comunista Revolucionário (PCR), da Unidade Popular (UP), do Instituto Helena Greco de Direitos Humanos e Cidadania (IHG), da Comissão da Verdade dos Trabalhadores e do Movimento Sindical de Minas Gerais (COVET-MG), do Instituto Carlos Campos, dentre outros movimentos, como organizações sindicais que novamente voltou ao debate, pressionando o Estado e garantindo que o espaço não fosse simplesmente esquecido.
Preservar esses lugares também significa revelar o que ainda não foi devidamente contado. 📌
Um exemplo é o recente inquérito aberto pelo Ministério Público Federal (MPF) após pedido da COVET para investigar a atuação da antiga Companhia Vale durante a ditadura. Denúncias de espionagem e perseguição de trabalhadores e sindicalistas, além da participação da empresa na remoção forçada do povo Krenak de seus territórios.
Por isso, a luta por memória não pode parar. Se os movimentos sociais não pressionarem, muitos desses espaços e histórias podem continuar sendo deixados de lado.
E essa memória precisa chegar também à juventude. Saber o que aconteceu é fundamental para reconhecer as violações do passado e impedir que sejam apagadas!