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Por justiça e reparação pelos crimes da ditadura a todo povo!

POR JUSTIÇA E REPARAÇÃO PELOS CRIMES DA DITADURA A TODO O POVO!   O Brasil...

POR JUSTIÇA E REPARAÇÃO PELOS CRIMES DA DITADURA A TODO O POVO!

 

O Brasil nunca puniu os seus algozes. Passados mais de 60 anos do golpe empresarial-militar, o país carrega a mácula de não ter punido os militares e civis responsáveis pelo financiamento e articulação com o terrorismo de Estado, “e pelas” OU “que promoveram”  graves violações de Direitos Humanos durante a ditadura (1964-1988) e em seus atos preparatórios. 

O constante autoritarismo econômico e a falta de democracia real para a maioria do povo são marcas perenes da nossa história. O legado colonial e escravista que as elites impuseram ao nosso povo são sentidas e perpetuadas em todo território nacional, sendo a violência policial e a ausência de acesso à terra dois dos principais problemas do país. 

A não responsabilização e não punição dos mandantes, financiadores, elaboradores e executores dos crimes da ditadura empresarial-militar, tanto por militares como por civis, aprofunda a tutela militar até hoje. Os militares participam e intervêm na disputa de poder como aliados dos que mandam no país. A violência das polícias é realidade constante no campo, nas florestas, nos bairros pobres e nas favelas, particularmente contra o povo negro e povos tradicionais. E também as tentativas golpistas de caráter fascista dos últimos anos têm a assinatura das Forças Armadas.

A cumplicidade de grandes corporações e latifundiários com o regime militar foi objeto de silêncio por muito tempo. O processo de resgate e construção da memória, sobretudo no âmbito da Comissão Nacional da Verdade (CNV), foi tardio e parcial. Mas ele é a necessária ponta de um novelo que começa na aliança de militares com empresários para a articulação do golpe e se estende por mais de duas décadas de terrorismo de Estado. O seu sistema repressivo foi projetado para a coerção dos trabalhadores, indígenas, quilombolas, camponeses, com vistas à maximização dos lucros das empresas, às custas da espoliação da maioria do povo.

Quebrar os parâmetros da impunidade, corporativa e estatal, pelos crimes do passado é uma tarefa de enorme relevância histórica e diz respeito a cada cidadão e cidadã. Em primeiro lugar, pela importância do passado, ao abrir caminho para a construção coletiva da memória e da verdade. Mas também projetando/mirando o futuro, para que se criem as condições para a quebra de um ciclo de repetição do autoritarismo, que continuamente assombra o Brasil. Para isso, todos os instrumentos são necessários: desde a elaboração de parâmetros legais para subsidiar a luta por justiça ao envolvimento e protagonismo dos povos e todos os vitimados nas reivindicações por reparação

Pela falta de apuração e condenação pelos crimes cometidos por empresas e pelo Estado, predomina na sociedade a cultura da normalização das violências praticadas pelo Estado.. Até hoje, o encarceramento em massa, a discriminação racial, o genocído e a ausência de acesso seguro à terra são naturalizados. Se houve um avanço democrático na sociedade após a Constituinte de 1988, ele não entrou nas fábricas, nas zonas rurais, nos territórios tradicionais, nas vilas e favelas e nos locais de trabalho em geral. Um povo oprimido não conhece democracia.

Execuções sumárias, genocídio, tortura e trabalho análogo à escravidão não podem seguir como realidade sentida em nossa pele cotidianamente. Não aceitamos a repetição e perpetuação dessas graves violações de Direitos Humanos! Não basta apenas a averiguação e, em alguns casos, punição, é necessário um movimento que faça frente aos seus algozes e dê subsídio à criação de mecanismos de não repetição. 

A instauração da Comissão Nacional Indígena da Verdade, a desmilitarização das polícias, a homologação da terra dos povos tradicionais, a reforma agrária, a execução das recomendações da Comissão Nacional da Verdade e a responsabilização de todas as graves violações de Direitos Humanos são o ponto de partida para a construção de um país que se reivindica democrático. 

Esta plenária e a articulação dos povos da cidade e do campo são formas de defesa dos interesses e da autonomia das múltiplas facetas do nosso povo. Somos trabalhadores, sindicalistas, indígenas, quilombolas, camponeses, ribeirinhos, populações removidas, familiares de vitimados pela articulação orgânica dos interesses dos empresários com os militares – ontem e hoje – e nesse momento nos organizamos e reivindicamos reparação coletiva às violações cometidas pelo Estado brasileiro e pelo empresariado

Reivindicamos protagonismo dos vitimados em todas as etapas dos 14 inquéritos civis em andamento, bem como a urgência de financiamento de novas investigações de graves violações de direitos humanos envolvendo empresas no período da ditadura. 

Pela responsabilização dos crimes da ditadura!

Seguir com Memória e Verdade!

Avançar com Justiça e Reparação! 

 

Plenária Por Justiça e Reparação, que ocorrerá na Cúpula dos Povos no dia 14/11, 

Horário: 15h em diante

Local: ICSA/ UFPA

Organizadores: Fórum Amazônia Por Verdade, Justiça e Reparação; Intercâmbio, Informações, Estudos e Pesquisa (IIEP); Associação de Ativistas por Reparação (AAPR); Comissão Camponesa da Verdade; CSP Conlutas. 

 

Ministério Público do Trabalho confirmado; 

 

Lideranças/ povos/ movimentos confirmados: Davi Kopenawa e Associação Hutukara Yanomami – Cleudo e Dayane Tenharim /AM- representação de povos do rio negro/AM (Hélio Gessen Tukano e outros) – representação do povo Jiahui/AM – Raquel Tremembé/MA- Osmarino Amâncio (liderança seringueria/AC) – Pydjamekranotire liderança Kayapó – Wendel Tembé e outros (povo Tembé) – Anne Karina representação de quilombolas/Moquibom Maranhão -delegação de famílias da comissão camponesa da verdade – Erasmo Theófilo e delegação de Anapu/PA – Manoel Chorimpa, liderança de povos do Vale do Javari/AM – Rosa Gregória, representação de quebradeiras de côco de babaçu – Cláudio Castro e representação de famílias do rio Moju/PA – Ricardo Terra, dirigente do Movimento Nacional de Luta Campo e Cidade MNL – Movimento de Mães Vítimas De Violência Policial/PA – Maria Márcia, representação camponesa de Castelo dos Sonhos/PA – representação camponesa de Pernambuco – trabalhador@s da construção civil de Belém – delegação da União das Comunidades (camponesas) em Luta/MA/PA – delegação camponesa e ribeirinha de Marabá/Pedral do Lourenço/PA

Memória, Verdade, Justiça e Reparação

Lançamento da AAPR – Associação de Ativistas por Reparação: contra a impunidades das violações cometidas...

Lançamento da AAPR – Associação de Ativistas por Reparação: contra a impunidades das violações cometidas desde a ditadura

 

“Nosso país, de uma forma geral, carece de uma cultura jurídica acerca da Justiça de Transição. Assim, juristas e ativistas vinculados historicamente à defesa da democracia e dos Direitos Humanos e sociais se unem no esforço de elaborar parâmetros teóricos e práticos, a fim de incidir sobre os inquéritos e futuros procedimentos judiciais ou extrajudiciais. Garantir a responsabilização das empresas e empresários cúmplices da Ditadura, bem como os processos de reparação completa, adequada, coletiva e efetiva, são o ponto-chave deste esforço”.

A Associação de Ativistas por Reparação: contra a impunidade das violações cometidas desde a ditadura (AAPR) foi fundada no dia 6 de dezembro na Faculdade de Direito da USP no Largo São Francisco, com a participação de juristas, trabalhadores, sindicatos, militantes em defesa dos direitos humanos e vitimados pela ditadura empresarial-militar. O objetivo da associação é garantir a responsabilização das empresas e empresários cúmplices da ditadura, atuando junto à pesquisadores, vitimados e o poder público. Atualmente, 14 empresas são alvo de inquérito do Ministério Público.

Participaram da mesa que coordenou a fundação da AAPR: Ney Strozake, advogado do MST e membro da ABJD; Rosa Cardoso, advogada, foi coordenadora da Comissão Nacional da Verdade; Pedro Muniz, advogado e sócio do MUZ advogados; Jorge Luiz Souto Maior, professor da Faculdade de Direito da USP e coordenador do Grupo de Pesquisa Trabalho e Capital (GPTC); Belisário dos Santos Junior, advogado e membro da Comissão Arns; José Luiz del Roio, historiador e membro do Instituto Astrojildo Pereira – IAP.

No momento final do ato fundacional da Associação de Ativistas por Reparação (AAPR):contra a impunidade das violações cometidas desde a ditadura, entidades de direitos humanos, Centrais Sindicais, juristas, Sindicatos e personalidades manifestaram seu apoio à associação.

Premissas e fundamentos para um Inquérito Civil Democrático na área da Justiça de Transição

Premissas e fundamentos para um Inquérito Civil Democrático na área da Justiça de Transição No...

Premissas e fundamentos para um Inquérito Civil Democrático na área da Justiça de Transição

 

No presente texto fazemos a indicação de alguns temas que desejamos propor que sejam incluídos na elaboração do Ministério Público do Trabalho e  Ministério Público Federal na reunião agendada para o dia 15 de setembro, em Brasília, envolvendo os Procuradores responsáveis pela condução de Inquéritos Civis que investigam empresas autoras de graves violações de Direitos Humanos, em conluio com o Estado ditatorial brasileiro, imposto ao país a partir dos anos 1960.

Referindo-nos ao documento que provavelmente emergirá desta reunião, isto é, um Protocolo com medidas ou procedimentos que orientem a instauração e o desenvolvimento dos mencionados inquéritos civis, bem como sua contextualização em um marco teórico/doutrinário, queremos colocar em relevo o pertencimento destes temas à problemática da Justiça de Transição. Desde logo afirma-se que existe no Brasil um direito à Justiça de Transição que assegura a vigência dos direitos à memória, verdade, justiça e reparação.

Nosso país, de uma forma geral, carece de uma cultura jurídica acerca da Justiça de Transição. Assim, juristas e ativistas vinculados historicamente à defesa da democracia e dos Direitos Humanos e sociais se unem no esforço de elaborar parâmetros teóricos e práticos, a fim de incidir sobre os inquéritos e futuros procedimentos judiciais ou extrajudiciais. Garantir a responsabilização das empresas e empresários cúmplices da Ditadura, bem como os processos de reparação completa, adequada, coletiva e efetiva, são o ponto-chave deste esforço.

 

Nesse sentido apresentamos as seguintes premissas e fundamentos: 

 

1. Imprescritibilidade das violações e do Inquérito Civil

O Inquérito Civil (IC) pode ser utilizado para a apuração de graves violações de direitos humanos sem aplicação de prazos prescricionais, uma vez que a tutela de direitos difusos e coletivos tem caráter indisponível e imprescritível. Além disso, o próprio IC, por ser instrumento investigatório e não uma ação judicial, não se submete à prescrição.

 

2. Publicidade e transparência

A regra no IC deve ser a publicidade dos atos, cabendo o sigilo apenas em hipóteses excepcionais previstas em lei. A transparência é condição essencial para assegurar legitimidade, ampliar o controle social e permitir a participação efetiva das vítimas e da sociedade civil. É fundamental que o Ministério Público requisite esta abertura.

O caso Volkswagen de São Bernardo do Campo – SP, é um exemplo a ser seguido de inquérito conduzido com transparência.

 

3. Abertura de arquivos

A plena abertura de arquivos empresariais e estatais relacionados às violações cometidas durante a ditadura civil-militar é imprescindível. Não há mais qualquer interesse empresarial legítimo ou segredo industrial, que sustente o sigilo desses documentos. Trata-se de informações de inequívoco interesse público, fundamentais para o acesso à verdade histórica, a identificação de responsabilidades e a produção de provas nos ICs.

 

4. Participação das vítimas e da sociedade civil

O Ministério Público deve admitir a participação das vítimas e de seus representantes, que podem oferecer informações relevantes, acompanhar os atos e intervir nos ICs. A realização de audiências públicas é instrumento necessário para ampliar a escuta social. Vale lembrar que tais audiências tiveram papel central  nos processos da Comissões da Verdade no Brasil, sendo fundamentais para dar visibilidade às vítimas, legitimar o processo e consolidar a memória coletiva. A legitimidade adquirida pela Comissão Nacional da Verdade, vem, além do conteúdo de seu trabalho, pela forma pública e transparente, com destaque para a sua fase final,  com que levou a cabo os seus trabalhos. No caso dos povos indígenas, deve-se assegurar o princípio da consulta prévia, livre e informada, de modo que nenhuma medida seja adotada sem o diálogo direto com as comunidades afetadas.

Exemplo de participação ativa das vítimas e da sociedade é o que ocorre no Grupo de Atuação Especial da Educação do Ministério Público do Estado de São Paulo (GEDUC). Verifica-se que no GEDUC, em praticamente todas as etapas, há a efetiva participação dos atores sociais, o que reforça o caráter democrático e dialógico do processo. Essa participação também compõe o aprendizado institucional do Ministério Público Federal, como reconhece a 1ª Câmara de Coordenação e Revisão ao determinar, no roteiro de atuação relativo ao FUNDEF, bem como o relatório de atividades do 6º CCR do MPF, referente ao ano de 2023. 

É preciso assegurar que aqueles que foram vítimas de gravíssimas violações de direitos humanos não sejam novamente relegados à condição de exceção.

 

5. Responsabilidade institucional e reparações coletivas

As empresas investigadas e o próprio Estado devem reconhecer sua responsabilidade pelas graves violações praticadas em conluio com o regime ditatorial. Esse reconhecimento deve ser acompanhado de pedidos oficiais de desculpas, configurando um gesto público de reparação moral e simbólica. Importa frisar que a reparação coletiva se distingue da indenização individual: enquanto esta busca compensar financeiramente vítimas específicas, aquela se volta à coletividade, promovendo medidas de caráter social, histórico e cultural que fortaleçam a memória, a dignidade e a não repetição das violações.

 

6. Políticas de memória e locais de reconhecimento

É fundamental que os ICs se desdobrem em medidas concretas de reparação coletiva, tais como a criação de locais e pontos de memória, a renomeação de logradouros e espaços públicos, a instalação de monumentos, centros de documentação e outras iniciativas que assegurem a preservação da memória histórica e a construção de uma cultura democrática.

 

7. Produção e continuidade de pesquisas

Os valores obtidos em ICs ou ACPs desta natureza, a título de ajustamento de conduta ou indenização, devem também incentivar a realização de novas pesquisas acadêmicas, institucionais e comunitárias sobre a responsabilidade empresarial durante a ditadura, além do fomento à produção audiovisual, bem como a continuidade e aprofundamento das investigações já iniciadas. Esse esforço é parte integrante do direito à memória e da obrigação de verdade.

 

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Aos 61 anos do golpe, o Brasil carrega a mácula de não ter punido os agentes militares e civis responsáveis pelo financiamento e efetivação de graves violações de Direitos Humanos durante a Ditadura (1964-1988) e por seus atos preparatórios.

A cumplicidade das grandes corporações com o regime foi objeto de silêncio por muito tempo. O processo de resgate e construção da memória, sobretudo no âmbito das comissões da verdade, foi tardio e parcial; mas ele é a necessária ponta de um novelo que começa na aliança de militares com empresários para a articulação do golpe e se estende por mais de duas décadas de terrorismo de Estado, com um sistema repressivo projetado para a coerção dos trabalhadores, indígenas, quilombolas, camponeses, com vistas à maximização dos lucros das empresas, às custas da espoliação destes grupos.

As 14 investigações em andamento, bem como a sentença prolatada em ACP no caso Volkswagen do Pará, após mais de uma década do lançamento do relatório da Comissão Nacional da Verdade (CNV), são um marco de fundamental relevância para a justiça de transição no Brasil e uma vitória da sociedade civil e do Ministério Público.

 A existência desses inquéritos é fruto da histórica luta de milhares de militantes e movimentos sociais, somado à rigorosa pesquisa historiográfica, baseada em fontes documentais e depoimentos de testemunhas, que contribuíram para a reflexão sobre o legado do período ditatorial, especialmente no que tange ao papel e responsabilidade empresarial para a concretização e perpetração da ditadura empresarial-militar. 

Quebrar os parâmetros da impunidade corporativa pelos crimes do passado é uma tarefa de enorme relevância histórica e diz respeito a cada cidadão e cidadã. Em primeiro lugar, pela importância do passado, ao se construir coletivamente a memória política de um capítulo deplorável de nossa história. Mas também em relação ao futuro, para que se criem parâmetros legais que contribuam com a quebra de um ciclo de repetição do autoritarismo. 

A realização de audiências públicas é um caminho fundamental na construção  ampla e democrática dos parâmetros e fundamentos da Justiça de Transição.

 

COP-30

https://repararja.com.br/wp-content/uploads/2025/11/Brazil-Plenay-of-Activists-Elsa-Stamatopoulou-message-14-Nov-2025.mp4 PLENARY OF ACTIVISTS FOR TRUTH, JUSTICE, AND REPARATION DURING THE PEOPLE’S SUMMIT / COP-30....

PLENARY OF ACTIVISTS FOR TRUTH, JUSTICE, AND REPARATION DURING THE PEOPLE’S SUMMIT / COP-30. [Plenária de Ativistas por Verdade, Justiça e Reparação durante a Cúpula dos Povos/COP-30]

Institute of Applied Social Sciences of the Federal University of Pará [ sob a coordenação do Professor Gilberto de Souza Marques]

Belém do Pará, Brasil, 14 de Novembro 2025

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Mensagem à PLENÁRIA DE ATIVISTAS POR VERDADE, JUSTIÇA E REPARAÇÃO DURANTE A CÚPULA DOS POVOS/COP-30

por Elsa Stamatopoulou

Ex-Chefe do Secretariado, Fórum Permanente da ONU sobre questões Indígenas e ex-Diretora, Instituto Para o Estudo de Direitos Humanos Universidade de Columbia.

 

Caros Participantes dessa PLENÁRIA DE ATIVISTAS POR VERDADE, JUSTIÇA E REPARAÇÃO DURANTE A CÚPULA DOS POVOS/COP-30.

 

Saudações calorosas, solidariedade e respeito a todos vocês em Belém do Pará!

Em primeiro lugar, gostaria de reconhecer os Povos Indígenas da terra de onde falo hoje em Nova York, o Povo Lenape, que são os donos tradicionais deste território. E gostaria de reconhecer os Povos Indígenas que são os donos tradicionais da terra onde vocês se reúnem hoje em Belém.

É uma grande honra para mim dirigir-me a esta assembleia extraordinária que é organizada por uma ampla coalizão de atores sociais no Brasil, representando sobreviventes, Povos Indígenas da Amazônia, camponeses, comunidades tradicionais, comunidades quilombolas afro-brasileiras, trabalhadores e pesquisadores.

Gostaria de agradecer ao nosso anfitrião, o Instituto de Ciências Sociais Aplicadas da Universidade Federal do Pará, sob a coordenação do Professor Gilberto de Souza Marques, e a todas as organizações copatrocinadoras.

Gostaria também de reconhecer e prestar meus respeitos a Davi Kopenawa Yanomami. Tive a honra de encontrar Davi pela primeira vez em 1991 em terra Yanomami – eu fazia parte da primeira missão de direitos humanos das Nações Unidas aceita pelo Brasil a respeito dos Povos Indígenas – era sobre a crise aguda enfrentada pelos Yanomami devido ao influxo de garimpeiros em suas terras. Depois disso, Davi visitou a Sede das Nações Unidas em NY em 1992 e foi o primeiro líder Indígena a se encontrar com um Secretário-Geral da ONU.

Caros Participantes, 

Vocês se reúnem aqui para buscar justiça para aqueles que ainda não a alcançaram e cujos direitos humanos continuam a ser violados, especialmente nas regiões remotas do Brasil, em áreas rurais e florestais, afetando Povos Indígenas, trabalhadores rurais e comunidades tradicionais e quilombolas afro-brasileiras.

Sabemos que nossa luta por justiça hoje ocorre nos tempos desafiadores em que vivemos: temos o enfraquecimento da democracia e a redução dos espaços cívicos em muitos países; notamos que as medidas antidiscriminação e pró-igualdade são frequentemente deixadas de lado; grandes setores da sociedade experimentam o empobrecimento; a paz é minada e as indústrias de guerra crescem; a mudança e a injustiça climáticas são combinadas com políticas estatais fracas que empurram nosso mundo para um caminho descendente.

Ao mesmo tempo, vemos sinais de esperança: vozes fortes de Povos Indígenas, comunidades tradicionais quilombolas, trabalhadores e outras partes da sociedade civil confrontam os desafios de forma positiva e com força. Como isso se expressa? Através de cinco formas principais: pensamento crítico, resistência, resiliência, solidariedade—tanto nacional quanto internacional—, advocacia sistemática e ação. Esses elementos criam um movimento sustentado por justiça. Muitos defensores da justiça e dos direitos humanos dizem que quanto mais grave for uma situação, mais decisivo é nosso compromisso de lutar por justiça. Nós não desistimos.

Agora chegamos a um ponto importante desta assembleia de direitos humanos: História. Cada sociedade tem que lidar com sua história, para desvendar a verdade sobre as coisas que aconteceram; para identificar e tornar públicos os resultados das injustiças que ainda continuam; e para tomar medidas para corrigir essas injustiças.

Hoje, através dos seus esforços, nós conectamos o passado, o presente e o futuro; eles estão em diálogo.

A ditadura afetou gravemente os Povos Indígenas, os Afrodescendentes — as comunidades tradicionais quilombolas — os trabalhadores… Sua parte do mundo, a América Latina, traduziu muita da dor das violações de direitos humanos ao longo de décadas em ferramentas sólidas e compartilhou essas ferramentas com o mundo. Uma das ferramentas é o conceito de violações contínuas de direitos humanos. Hoje, este conceito é parte do direito internacional dos direitos humanos. O que isso significa? Significa que se o estado violou direitos humanos no passado e não tomou nenhuma medida para corrigir os impactos dessas violações, para abordar os problemas dos sobreviventes e para tomar outras ações corretivas, então estas violações de direitos humanos são vistas como continuando no presente. O estado é responsável perante o povo, é claro, mas também perante a comunidade internacional.

É por isso que o Conselho de Direitos Humanos da ONU estabeleceu o Relator Especial sobre a Verdade, Justiça, Reparação e Garantias de Não Repetição. O Relator Especial, agora Professor Bernard Duhaime, visitou o Brasil em abril deste ano. Seu relatório foi publicado no verão passado e submetido à recente sessão do Conselho de Direitos Humanos da ONU. O Relator Especial recomendou que as autoridades brasileiras competentes (…) estabeleçam: 1) uma comissão nacional da verdade sobre os povos indígenas, [conforme aconselhado pela Comissão Nacional da Verdade], e 2) uma Comissão da Verdade sobre afrodescendentes e sobre camponeses; 3) ele também recomendou que o Estado brasileiro estabeleça “um mecanismo federal de acompanhamento para dar continuidade ao trabalho da Comissão Nacional da Verdade e monitorar a implementação das suas recomendações; o mecanismo deve investigar de forma abrangente as graves violações de direitos humanos cometidas durante a ditadura contra todos os setores da sociedade, incluindo Povos Indígenas, camponeses e afrodescendentes”.

Prezados Participantes desta Reunião Plenária,

É evidente que as suas vozes importam. As vozes da sociedade civil brasileira importam. As ações ou omissões do estado e de outros atores tornam-se visíveis. Vocês são ouvidos em muitos níveis, incluindo no nível internacional. Nossa consciência moral está com vocês em solidariedade, com respeito pelas suas lutas.

Gostaria de mencionar um líder Indígena histórico da América do Norte, o Ancião Moicano, Kenneth Deer. Ele continua a nos lembrar em todas as oportunidades: “Mantenham sempre a autoridade moral”.

Eu repito esta mensagem. “Mantenham sempre a autoridade moral”. Desejo a vocês todo sucesso na sua Plenária hoje e força contínua nos seus esforços por justiça.

Caros amigos,

A palavra “seguimos”, “nós continuamos”, é frequentemente uma frase que dizemos em vez de “adeus” após reuniões de Povos Indígenas — consciência, resiliência, ação, esperança, nós continuamos.




COP-30 english

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PLENARY OF ACTIVISTS FOR TRUTH, JUSTICE, AND REPARATION DURING THE PEOPLE’S SUMMIT / COP-30. [Plenária de Ativistas por Verdade, Justiça e Reparação durante a Cúpula dos Povos/COP-30]

Institute of Applied Social Sciences of the Federal University of Pará [ under the coordination of Professor Gilberto de Souza Marques]

Belém do Pará, Brazil, 14 November 2025

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Message to the PLENARY OF ACTIVISTS FOR TRUTH, JUSTICE, AND REPARATION DURING THE PEOPLE’S SUMMIT / COP-30

 

by Elsa Stamatopoulou

 Former Chief of the Secretariat, United Nations Permanent Forum on Ιndigenous Issues and Former Director, Indigenous Peoples’ Rights Program, Columbia University’s Institute for the Study of Human Rights

 

Dear Participants at this PLENARY OF ACTIVISTS FOR TRUTH, JUSTICE, AND REPARATION DURING THE PEOPLE’S SUMMIT / COP-30.

 

Warm greetings, solidarity and respect to you all in Belém do Pará!

 

First of all, I would like to recognize the Indigenous Peoples of the land I am speaking from today in New York, the Lenape People, who are the traditional owners of this territory. And I would like to recognize the Indigenous Peoples who are the traditional owners of the land where you are gathering today in Belem.

It is a great honor for me to be addressing this extraordinary assembly that is organized by a broad coalition of social actors in Brazil, representing survivors, Indigenous Peoples of the Amazon, peasants, traditional communities, Afro-Brazilian quilombola communities, workers and researchers.

I would like to thank our host, the Institute of Applied Social Sciences of the Federal University of Pará, under the coordination of Professor Gilberto de Souza Marques, and all the cosponsoring organizations. 

 

I would also like to recognize and pay my respects to Davi Kopenawa Yanomami. I had the honor to meet Davi for the first time in 1991 on Yanomami land-I was part of the first United Nations human rights mission accepted by Brazil regarding Indigenous Peoples-it was about the acute crisis faced by the Yanomami due to the influx of garimpeiros on their land. After that, Davi visited United Nations Headquarters in NY in 1992 and was the first Indigenous leader to meet with a UN Secretary-General.

 

Dear Participants, 

You are gathering here to seek justice for those who have not yet attained it and whose human rights continue to be violated, especially in the remote regions of Brazil, in rural and forested areas, affecting Indigenous Peoples, rural workers, and traditional and Afro-Brazilian quilombola communities.

We know that our struggle for justice today takes place in the challenging times we live in: we have weakening democracy and shrinking civic spaces in many countries; we notice that anti-discrimination and pro-equality measures are often put aside; large sectors of society experience empoverishment; peace is undermined and war industries rise; climate change and injustice is combined with weak state policies that push our world to a downward path.

 

At the same time, we see signs of hope: strong voices of Indigenous Peoples, quilombola traditional communities, workers and other parts of civil society counter the challenges in a positive way and with strength. How is this expressed? Through five main ways: critical thinking, resistance, resilience, solidarity-both national and international-, systematic advocacy and action. These elements create a sustained movement for justice. Many justice and human rights advocates say that the more grave a situation is, the more decisive our commitment to fighting for justice is. We don’t give up.

 

Now we come to an important point of this human rights assembly: History. Each society has to deal with its history, to unveil the truth of things that happened; to identify and make public the results of injustices that still continue; and to take measures to correct these injustices.

 

Today, through your efforts, we link the past the present and the future; they are in dialogue.

 

 The dictatorship gravely affected Indigenous Peoples, Afrodescendants – the quilombola traditional communities– workers…  Your part of the world, Latin America, has translated a lot of the pain from human rights violations over decades into solid tools and has shared those tools with the world. One of the tools is the concept of continuing violations of human rights. Today this concept is part of international human rights law. What does it mean? It means that if the state has violated human rights in the past and has not taken any measures to correct the impacts of these violations, to address the problems of survivors and to take other corrective actions, then these human rights violations are seen as continuing in the present. The state is accountable to the people of course, but also to the international community. 

This is why the UN Human Rights Council established the Special Rapporteur on Truth, Justice, Reparation and Guarantees of Non-Recurrence. The Special Rapporteur, now Professor Bernard Duhaime, visited Brazil in April of this year. His report was published last summer and submitted to the recent session of the UN Human Rights Council.  The Special Rapporteur recommended that the competent Brazilian authorities (…) establish 1) a national truth commission on Indigenous people, [as advised by the National Truth Commission], and 2) a Truth Commission on people of African descent and on peasants; 3) he also recommended that the Brazilian State establish “a federal follow-up mechanism to continue the National Truth Commission’s work and to monitor the implementation of its recommendations; the mechanism should investigate comprehensively the serious human rights violations committed during the dictatorship against all sectors of society, including Indigenous Peoples, peasants and people of African descent”.

Dear Participants to this Plenary Meeting,

 

It is clear that your voices matter. The voices of Brazilian civil society matter. The actions or omissions of state and other actors become visible. You are heard at many levels, including at the international level. Our moral conscience stands by you in solidarity, with respect for your struggles.

 

I would like to mention a historic Indigenous leader from North America, the Mohawk Elder, Kenneth Deer. He keeps reminding us at every opportunity: “Always keep the moral high ground”. 

 

I repeat this message. “Always keep the moral high ground”.   I wish you every success in your Plenary today and continuing strength in your efforts for justice.

Dear friends,

The word “seguimos”, “we continue”, is often a phrase we say instead of “goodbye” after Indigenous Peoples’ meetings – awareness, resilience, action, hope, we continue.